Por que razão participa em eleições políticas e não cria um movimento cívico à escala da UE com o objectivo de influenciar os decisores políticos?

Algumas Organizações Não-Governamentais globais (por exemplo, Friends of the Earth, Amnesty International,...) tornaram-se organizações de lobby muito poderosas, capazes de sensibilizar o público para novas questões políticas e de exercer pressão sobre os governos e os decisores políticos para que promovam a sua agenda cívica.

No entanto, a sua acção fica aquém de uma acção política plena, em dois aspectos:

  1. apoiam uma causa, e apenas uma causa, e ignoram deliberadamente as consequências da sua ação sobre outras partes interessadas, partindo do princípio de que estas outras partes interessadas dispõem (ou deveriam dispor) de meios para cuidar de si próprias e dos seus interesses;
  2. aconselham os governos, mas não têm qualquer responsabilidade sobre as consequências das suas recomendações.

Neste sentido, agem da mesma forma que as corporações multinacionais, as associações industriais, os sindicatos e todos os outros membros da sociedade civil organizada, em todas as escalas (desde o local até ao global).

Estes actores da sociedade civil têm um poder de influência - mas está limitado à influência. O poder de decisão final permanece - legitimamente - nas mãos dos órgãos públicos oficiais (que nas sociedades democráticas são eleitos) que têm a responsabilidade global do interesse público.

A Cooperativa CosmoPolítica optou por atuar plenamente no campo político e participar diretamente das eleições políticas, justamente porque:

  1. defende o interesse público em geral, e não uma causa específica e unilateral;
  2. tem total responsabilidade pelas decisões tomadas, perante os eleitores;
  3. Pretende participar na tomada de decisões concretas, sendo eleito e assumindo cargos de responsabilidade no governo.

Esta é uma escolha, e uma escolha difícil. Definir o interesse público significa ter em conta as reivindicações legítimas de todas as partes interessadas (próximas e distantes, actuais e futuras, humanas e não humanas - por exemplo, o clima ou a biodiversidade), bem como os potenciais impactos da política em todas elas - e, no entanto, ter a certeza de que a escolha feita irá sempre gerar frustração e insatisfação para alguns. Ter a coragem de tomar decisões, de implementar uma política específica, com o risco de fracasso técnico e com a certeza de ser criticado, é muito mais difícil do que pretender ser o orgulhoso cavaleiro que defende uma causa - culpando o outro lado vilipendiado de qualquer fracasso. Esta coragem é difícil, mas faz sentido e é necessária. É também uma fonte de satisfação: a de agir concretamente para o bem comum.